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Legislação e Cooperação, por Ozires Silva

Crédito: Divulgação

Desde os tempos mais primários da vida da humanidade, unindo interesses comuns, a parceria passou a existir e ganhar novas formas, como meio de se conseguir mais resultados do que simplesmente usando as iniciativas individuais. Em que pesem muitos debates, não muito se tem conseguido, sobretudo se num dos lados esteja o Governo.

 

 

Parcerias somente funcionam caso haja uma combinação de interesses e valores entre os engajados. Pode haver choques e discussões, mas parcerias de sucesso ocorrem quando se resolve estender as mãos a alguém que poderia ter sido um contendor, embora ressentimentos possam ter existido no passado. E, mais do que isso, quando as partes decidem discutir objetivos comuns, após francos e honestos debates.

 

 

Em muitas atividades humanas, nos negócios e na condução de empreendimentos, tais colocações fazem sentido. Necessitamos de parcerias para garantir o crescimento e o desenvolvimento da eficiência gerencial, resultados essenciais na vida moderna. Não podemos deixar prevalecer práticas do passado, num mundo que nos últimos anos mudou acentuadamente. Mesmo nas mais acirradas competições sempre existem, e existirão, espaços para cooperação.

 

 

 

Não estamos mencionando parcerias para existirem somente entre empresas, porém, mais do que isso, temos de pensar que devem envolver os Governos como um todo. As autoridades são responsáveis pela cooperação, dentro de um Estado democrático, todos contribuindo dentro do espírito de trabalhar pelas soluções, fugindo do campo das restrições, na maioria criadas por desconfianças ou distanciamentos, construídos no passado.

 

 

Em um exame nos nossos horizontes, no Brasil, mesmo que superficial, o próprio leitor deve ter exemplos pessoais de insucessos em suas iniciativas, nas dificuldades encontradas para a obtenção de um documento público, tudo cercado com exigências, como se o postulante não fosse um cidadão a ser respeitado em toda sua integridade.

 

 

Em todos os setores da nossa economia os cenários são preocupantes. Reclamam-se as insuficiências dos investimentos na infraestrutura. O processo educacional reclama por reformas. Renasce o temor do crescimento da inflação. Uma cooperação entre as opiniões seria desejável, abordando exames feitos por especialistas sobre quais seriam os diagnósticos mais prováveis e as melhores soluções para superar problemas que são de todos.

 

 

Precisam ser aproveitados os argumentos dos mais variados matizes, atacando-se todas as frentes, em esquema colaborativo entre as autoridades e o lado do público. Todos juntos. E não a sociedade somente esperando soluções de oráculo dos governantes em exercício. Nada pode escapar dessa análise, incluindo o encarecimento dos impostos, custos de combustíveis, despesas burocráticas, demanda fraca, concorrência e assim por diante.

 

Os Governos, claramente distantes, trabalhando isoladamente, não discutindo (ou cooperando) com os agentes geradores de riquezas, não encontram saídas. Enquanto isso a voracidade inflacionária pode voltar a exaurir os recursos da população.

 

 

A inflação é apenas um exemplo mas vamos nos convidar a estender as ideias e pensar juntos? No mundo, hoje dominado pelas comunicações, abrindo fronteiras e destruindo dogmas do passado, será que tudo isso estaria nos sugerindo cooperar mais e se opor menos? Governos e empresas, funcionários públicos e povo, todos juntos, construindo soluções novas e criativas, e materializando avanços dinamicamente moldados sobre as melhores práticas possíveis? Que tal?

 

 

Artigo divulgado no jornal A Tribuna de 07 de abril de 2013.