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A Cultura do Sucesso, por Ozires Silva

A Cultura do Sucesso, por Ozires Silva

Vivemos num novo continente, descoberto pelo espírito colonizador dos europeus, em particular portugueses e espanhóis, que na busca de riquezas do além-mar encontraram, na América, muito mais do que esperavam.

 

As descobertas das diferentes Américas ocorreram mais ou menos ao mesmo tempo, o que confere ao Sul praticamente a mesma idade para do Norte. Portanto, cabe a pergunta: O que nos aconteceu? Os americanos do Norte construíram bases para o desenvolvimento econômico e para padrões culturais entre os mais avançados, enquanto o Sul não avançou nas mesmas proporções.

Há também no Sul algo de sucesso. E identificando o que deu certo e que somou êxitos, tudo indica que não há razões para desesperos ou para desesperanças em relação ao que pode ser feito.

 

Não sendo sociólogo, posso somente argumentar com base em experiências longas e densas dedicadas às atividades criativas e construtivas. Tendo trabalhado com equipes, compostas de técnicos e especialistas das mais diferentes origens locais e internacionais, tendo convivido e negociado com destacadas instituições industriais e comerciais do mundo mais desenvolvido, confesso que não encontrei diferenças marcantes. Encontrei líderes esclarecidos e com iniciativas por aqui e lá fora.

 

Assim, aonde teriam origem os problemas que vivemos e como são formuladas as soluções que não nos agradam ou não colocamos em prática?

 

Responder a estas questões são propósitos difíceis e podem gerar prolongadas discussões. Todavia, há algo que se nota, quase como um bem permanente, nas regiões que prosperaram. Seus povos praticam tipos de comportamento que poderíamos caracterizar como culturas voltadas ao sucesso. É o aplauso superando a crítica, é o otimismo vencendo o pessimismo, é a ajuda ao próximo mais perto do que o alheamento daquele que se comporta como “nada tenho com isso!”.

 

Pode ser que os Estados Unidos mudaram nos dias de hoje e vemos os americanos mais pessimistas do que até um passado recente. O fato é que os economistas, financistas e magnatas do dinheiro se mostram preocupados, mas não notam que eles mesmos podem ser os culpados na origem das crises que parecem que estão combatendo. O dinheiro, que naquele país e também até um passado recente, era usado para criar valor, para fabricar produtos, para reduzir os riscos dos empreendimentos, não mais exercem essas funções. Sem querer afirmar, pode ser que, a partir do uso do dinheiro para conseguir mais dinheiro – fato recente nos EUA – a prosperidade começou a se afastar da grande nação do norte. Uma relação de causa-e-efeito? Não sei, mas creio que vale a pena pensar nessa alternativa.

 

A China está caminhando para se tornar a nação número 1 do mundo e já hoje investe intensamente em educação, pesquisas, inovação, ciência e tecnologia. Em educação, um aluno médio chinês se aproxima, em matemática e outras matérias, dos melhores do mundo. Na mesma pesquisa, o nosso aluno médio coloca-se entre os últimos. O mesmo ocorre na Coréia do Sul, onde há debates acalorados e intensos a respeito da educação que, recentemente, mereceu uma manchete internacional sobre o “fanatismo coreano pela educação”.

 

O Brasil tem tudo para crescer e se desenvolver. Parece que precisamos mudar a chave básica de nossa cultura que, até o presente, não tem funcionado a contento. Temos de nos estimular a pensar diferentemente, comemorando muito mais sucessos do que perdermos tempo a destilar ou explicar fracassos. E, com coragem, aplicarmos as necessárias correções de rumo.

 

Artigo divulgado no jornal A Tribuna em 04 de março de 2012.

 

Foto: Divulgação.